É tempo de se amar


Bem amiga, aqui estamos nós. Não encare isso com tristeza. A solteirice é um presente. Tem gente que conta o tempo e se sente mal por estar sozinha depois de um punhado de meses repetidos, e não percebe a generosidade da vida em presenteá- las com essa chance.

É tempo de olhar para frente e para você, pois passou muito tempo focada no outro. Esqueceu que é completa e que pode ser feliz sem um ombro alheio do lado. O tempo é de um encontro pessoal e íntimo. Um não. Vários encontros, todos os dias. Se redescobrir, se libertar, encarar a si mesma e fazer tudo o que antes reprimia.

É tempo de tomar banho sozinha e perceber que ainda é a mesma que antes de se sentir plural, só que agora mais forte, feliz por estar acompanhada pela leveza da sua presença. Com o tempo você vai cantar no chuveiro. Talvez um música brega, e não se sentir ridícula por isso, porque ninguém vai te fazer se sentir estranha por gostar das coisas antigas, por ser quem é.

É tempo de se convidar a dar um passeio, observar o céu, trazer mais um gato para casa, por em prática o sonho de fazer uma tatuagem. Não mais em um local escondido do seu corpo. É tempo de procurar as amigas que você deixou no caminho, mas também é hora de ser sua melhor amiga. Sim, seja generosa contigo. Não se culpe e não se silencie.

É tempo de sororidade, de luta e de amor individual e coletivo. Lavar as feridas, curar o passado com horas de dança, vendo um tutorial de jazz no youtube. É hora de aprender a tocar violão, ao invés de sonhar que alguém vai te fazer uma serenata. Faça para você. Por você.

É tempo de maratonar Jessica Jones ou Gilmore Girls. Respirar o alívio de ser somente e exclusivamente sua, só sua. Agradecer esse presente que é ser livre, completa. É tempo de se amar, mais e melhor. Profundamente.

Nunca mais dançarei como dancei com você

Um tarde de sábado trazendo o reconfortante descanso semanal. As luzes da cidade acordando, um vento agradável de alívio. O sol já não queima, mas meu peito sim.
Na vitrola, blues, rockabilly e uns flashback dos anos 80. Enquanto Can't Help Falling in Love vai diminuindo, vejo você chegar com passos ritmados, com os olhos brilhantes, com esse cabelo despenteado para parecer casual, que eu sei que você passa minutos em frente ao espelho moldando.
Chega em mim, pega minha mão quando o relógio marca 17:45 e toca Careless Whisper. Fico constrangida enquanto o saxofone se exibe docemente e você gargalha, como quem se diverte com uma piada. Mais doce que o sax, só você.
Em meio a uma frase e outra, com a voz envolvente do cantor, eu suspiro como quem quisesse dizer algum segredo. Então eu falo o menos difícil e deixo o outro dentro de mim, enquanto me concentro para não acabar estragando tudo. "Quer dançar?" "Uhum."
E furtivamente me puxa para um canto discreto da pista. Seu cheiro de perfume que todo mundo tem, parece inédito agora. Tenho certeza do que sinto. Me divirto com sua tentativa de dar passos extras, sinto um frio no estômago, misturado com a segurança de estar perto de ti, e lembro do que queria falar quando te encontrasse hoje. Talvez seja a hora. Talvez funcione. Falo de bate-pronto: "Gosto de você" "Eu também."
Você parece não entender. "Não, eu te quero." E a música entra no refrão, fica forte, latente, mas tudo parece mudo, contrastando com o batuque do meu coração aflito, porém agora mais leve.
"Como? Como você deixou isso acontecer?" Você me responde quase em protesto, e acrescenta: "Poxa, somos só amigos." Minhas borboletas de repente adormeceram. 
A voz melodiosa e suave canta "There's no comfort in the truth", e é realmente o que estou sentindo agora. Sei que depois disso, a gente vai tomar alguma bebida com gosto ruim, talvez rir e comer salgadinhos murchos, mas você não vai focar nos meus olhos, e vai evitar tocar em mim novamente. Talvez não tenha sido tão mal, por um momento acreditei que íamos cantar Dancing Queen no karaokê como havíamos feito no ano passado, mas agora ouve-se Patience e ao fundo um casal toca suavemente os lábios. Parecem recente, talvez de hoje mesmo. Fico nostálgica pelo que não aconteceu. Talvez eu tenha me confundido. Tantos talvez, algo ainda pulsa dentro de mim, você está bem aqui... Depois de voltar a realidade vi a grande besteira que acabei de fazer. Isso foi tão feio, quase um crime, que eu me entregaria para a polícia agora mesmo, só para não ter que ver você assim, tão sem graça. A música acabou. Algo me conforta. Amanhã tudo pode mudar. Mas de uma coisa eu sei: Nunca mais dançarei como dancei com você. Apesar de tudo, de todas as horas que passei ensaiando o que ia dizer e disse outra coisa, e apesar de ter te invadido com minhas confusões em singular, é uma boa lembrança. Não vou carregar isso em segredo mais. Posso enfim respirar, e me sentir esvaziada como não sentia antes. Posso seguir outro rumo. Posso dançar outros passos. Posso dançar comigo mesma. E é isso que vou fazer ao som de Girls Just Want To Have Fun.



Edit1: Sugiro ler ouvindo as músicas do texto. Todas eu amo. 💗
Edit2: George Michael, obrigada por interpretar tão bem uma das minhas músicas preferidas. Vá em Paz! ❤

Deixe a Neve Cair


Oi, migs! Vim indicar um livro que amo e que deve ser lido nesse Natal 📖 🎄🎅

Deixe a Neve Cair é um livro de romance com três contos de Natal que se interligam entre si. É pra quem gosta mesmo de história de amor (de amor que não dá certo também) e de Natal. E é perfeito pra ser presente de Natal (seu a si mesma também, porque não?) O Expresso Jubileu de Maureen Johnson, O Milagre da Torcida de Natal do John Green e O Santo Padroeiro dos Porcos da Lauren Myracle. Juntos eles prometem distração ao máximo. Quando uma cidade inteira fica presa na neve, na véspera do Natal, acontecem coisas incríveis.


Nota 1: Tenho esse livro a pouco mais de um ano, li três vezes ele inteiro. O primeiro conto li mais vezes, pois é meu preferido. Ganhei de aniversário de uma amiga. É um dos meus livros preferidos.


Bem, como dizer a alguém que não conhece sobre um livro que a gente tem apego, carinho, nostalgia e identificação? Devia começar por tentar falar dos personagens, né? Já que por alguns tenho tanta familiaridade. Minha personagem preferida é do primeiro conto, Jubileu. Uma menina de cabelo curto, óculos gatinho e com uma visão confusa e engraçada do mundo. Como gosto de uma boa história de romance, esse primeiro conto já me ganhou. É daquelas histórias que se for parar pra analisar muito, vai acabar em julgamento, então não tem o que dizer, só sentir. A minha paixão pelo moço Stuart é imediata, no momento em que ele entra no conto. É daqueles caras do bem, que a gente sonha em encontrar por aí, simples, divertido e bom filho. Tem o coração partido mais remendável do mundo, é apostador de novas oportunidades da vida.



No segundo conto, temos Duke, JP e o narrador personagem Tobin, um tipo clássico meio tapado que não enxerga um palmo diante do nariz, mas que soube aproveitar o momento divino em que o estalo de dedos da vida nos dá uma oportunidade, clareando as ideias e abrindo o coração.
Spoiler: Rola amor entre amigos. Duke é incrivelmente apaixonável, porque 1) ela se importa, é parceira, não faz jogos e 2) é daquelas pessoas que não tem noção do quanto especiais são.
Rola uma aventura de ficar sem ar, contando com fugas, corridas e risco de vida.


O terceiro conto é narrado inteiramente por uma garota recém cabelo rosa na bad. Quem tá na bad vai sentir o cortante alívio de ler o que milhares de pessoas nesse mesmo momento estão sentindo. Só que a salvação disso tudo é que Addie é engraçada (do tipo vou rir pra não chorar). Addie namorava Jeb (um boy magya tipo Taylor Lautner em Crepúsculo) e por um motivo aí, os dois se desencontraram na vida. Vai rolar reviravolta, hein. Ela muda sua visão no momento em que acha que sua vida tá uma droga sem conserto e que o que vai dar algum sentindo agora é parar de pensar em si e se entregar pra ajudar alguém. E ela mergulha fundo nisso.


No fim, três casais improváveis vão se formar e tudo vai fazer sentido. Faz pensar muito em quando tudo na nossa vida, nesse atual momento, tá lascado e que a gente acha que é o fim. Tenho pra mim que Deixe a neve cair é uma expressão equivalente a Um dia de cada vez.


Nota 2: Essa leitura fortalece meu otimismo, me diverte e me faz suspirar. 

Nota 3: As cenas de beijo, bem detalhadas, são de esquentar o coração (não vou mentir, adoro) 💘


Ficou com vontade de ler ainda nesse Natal? Quer dar de presente pra alguém? Já leu? Me conta aqui! Beijos 😽